EncontrArte promove celebração cultural em plena Via Light

Por: Carlos
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A mostra “E Aí? EncontrArte Artes Integradas”movimenta final de semana em Nova Iguaçu 

Artes integradas, coletividade e ocupação de espaços públicos. Estas foram as palavras de ordem da quarta noite desta edição do EncontrArte. A mostra “E Aí? EncontrArte Artes Integradas” promoveu o encontro de música, poesia, artes visuais, dança e cinema em plena Via Light.

“Há um movimento em todo o mundo de mudança de comportamento cultural. Coletivos culturais estão se formando nas regiões periféricas e ocupando espaços públicos. Isso é muito positivo. Nós do EncontrArte já estávamos querendo realizar uma mostra como essa, de artes integradas e na rua, que é verdadeiramente um espaço democrático. Os coletivos da Baixada estão cada vez mais fortes e este ano vimos que era a nossa hora”,  explicou Fabio Mateus, idealizador do festival junto com Claudina Oliveira e Tiago Costa.

Luana Pinheiro, do coletivo Cineclube Buraco do Getúlio aprovou a iniciativa: “OEncontrArte deste ano acertou demais com essa proposta de ocupar espaços alternativos e públicos também. O fato de estarmos aqui em plena Via Light é uma postura política e tem tudo a ver com outras iniciativas culturais da região. Ocupando os espaços públicos com arte podemos resolver problemas sociais e até a violência”.

Diego Bion, também do cineclube, explica que o Buraco do Getúlio tem esse nome porque inicialmente funcionava em um bar na Rua Floresta, onde existe uma passagem que atravessa a linha férrea subterraneamente, possibilitando aos transeuntes chegar ao outro lado em segurança. E essa passagem tem esse nome por causa do ex-prefeito da cidade, Getúlio Barbosa de Moura.

“Atualmente fazemos o cineclube na Praça dos Direitos Humanos. Acreditamos que trazer ações de cultura para as ruas é mais eficaz que deixá-las em centros culturais”, acrescentou.

Vitor Gracciano faz parte do coletivo Cineclube de Guerrilha, de São João de Meriti. Ele esteve presente à mostra apresentando o filme “Gigante da Alegria”. “Nos chamamos Cineclube de Guerrilha porque nossos filmes são de baixo orçamento, somos como guerrilheiros da arte”, define. Para Vitor, eventos como o desta noite ajudam a fortalecer a integração entre vários tipos de arte, além de reforçar o espaço público como local para apresentações artísticas. “Queremos que isso aconteça cada vez mais. Tomar, ocupar as ruas com arte. Pois, muitas cidades da Baixada não têm aparelhos culturais. Sem problemas, levamos arte para as ruas e todos poderão usufruir”, conclui.

De Nova Iguaçu, o melhor hip hop do mundo – O grupo #ComboIO também foi uma das atrações da noite. Formado pelo trio Marcão da Baixada, Dudu de Morro Agudo e Leo das Treze, eles são de Nova Iguaçu, mas já ganharam o mundo. Receberam, em maio deste ano, o prêmio “Take Back The Mic”, em Miami (EUA), de melhor grupo de hip hop do mundo. “O EncontrArte é uma vitória, um festival que fomenta as artes da Baixada, e são muitas. Aqui temos o privilégio de sermos ouvidos por pessoas do teatro, por exemplo, que nem sempre curtem o hip hop. Essa troca é muito bacana”, comemorou Dudu de Morro Agudo.

Poesia iguaçuana – Na Via Light, próximo à estrutura montada para as apresentações musicais e de dança, esteve, por toda a noite, a estante “Autores e Livros da Baixada”. “Eu me considero um experimentalista em poética. Passeio por vários gêneros literários, escrevo há 40 anos e realizo saraus junto com minha esposa Sil Lis. O EncontrArte é como um divisor de águas para a nossa região. Temos a arte da Baixada antes e depois do festival. E, mais, está cada vez melhor”, afirmou o poeta Moduan Matos.

Dançando na Posse – Monique Ferreira dança jazz há 27 anos, sendo que ela tem 33. Ou seja, sua vida sempre foi dançar. Acabou se tornando professora. Foi então que resolveu participar da ONG Centro de Convivência Recriarte Pela Vida, localizado na Posse. Lá, ela montou um grupo de dança, que se apresentou na mostra “E Aí? EncontrArte Artes Integradas”. “Nós possibilitamos a essas jovens mudar suas vidas por meio da dança. São meninas de baixa renda, que não tem dinheiro para pagar aulas, às vezes nós até pagamos passagem para elas irem à ONG. O importante é dançar e ser feliz”,resume a professora. O grupo, composto por oito dançarinas, apresentou o espetáculo de jazz moderno “Tudo de mim”. “O EncontrArte é o encontro no qual podemos apreciar tudo que a Baixada tem de melhor”, completou Monique.

E muito mais – O ator iguaçuano Ludoviko Vianna, que junto com Marieta Severo e Martins Pena, é o homenageado deste XIV Encontro de Teatro da Baixada Fluminense, esteve presente nesta noite de festa. “Ser homenageado aqui é mais que uma honra. É a afirmação de que sou reconhecido na minha casa, pela minha família. Pois não adianta nada ter fama em outros lugares se os seus não te reconhecem. Obrigado EncontrArte”, agradeceu.

A noite contou ao todo com 20 apresentações, entre música, dança literatura/poesia e cinema. A programação segue intensa na Via Light. Nesse domingo, a partir das 10h, serão distribuídos doces para as crianças, além de brincadeiras e muito mais. Já às 16h, a cantora Bia Bebran sobe ao palco para apresentar seu show “Fazer um Bem”. Tudo gratuito.

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Foto: #ComboiO

Crédito: Marcele Pontes

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