Espetáculos que vão, saudades que ficam

Conviver com pessoas espetaculares tem um preço que a gente aprende a pagar com o tempo

Por: Wesley Brasil
wesleybrasil@gmail.com

Já estamos no meio do XIII EncontrArte, mas já bate um aperto no coração de saudade. Tive o prazer de passar a tarde de segunda-feira com o grupo Trompim. Johnny Rocha e eu fomos buscá-los no Aeroporto, e ficamos alguns belíssimos minutos no saguão do desembarque observando gente chegando do Brasil inteiro… Gente que reencontrava parentes… Que matava a saudade… Uma cena que esperamos viver, não só com o Trompim, mas com tantos outros grupos que vieram de todo lado do país.

A saudade faz um bem danado. Dá uma dor, mas arranca um sorriso inexplicável, né?

Apresentamos o Rio a eles. Mostramos um pedacinho da Baixada. E aí começaram os laços… As primeiras piadas… A disputa entre ‘biscoito’ e ‘bolacha’… Cantei pra eles o primeiro funk em solo carioca. A maioria já havia estado no Errejota, mas era a primeira vez na BXD. Bem-vindos! Contamos as lendas da região. Explicamos como era a vida por aqui. E aí, no espetáculo dessa terça-feira, o grupo percebeu o valor do nosso povo.

Trompim no carro, ainda no estacionamento do Aeroporto. O Johnny lá no fundo mostra o clima deste primeiro encontro.

Trompim no carro, ainda no estacionamento do Aeroporto. O Johnny lá no fundo mostra o clima deste primeiro encontro.

“Nossa, que público caloroso!”, se impressionava um dos gaúchos conversando comigo na técnica do Sesc Nova Iguaçu. O amor foi mútuo. O laço verdadeiro. A conexão instantânea.

A pior parte em trazermos pessoas fantásticas para o Festival é ter de vê-las partir. Podem me chamar de egoísta, mas é um egoísmo do bem: porque quando a gente vive algo bom, não quer que aquilo acabe. Ainda bem que as boas lembranças nos fazem perceber que outros bons momentos virão. E aí a tal da saudade dá um gostinho especial em revê-los.

Faz parte da vida se despedir – em muitos sentidos. Mas enquanto essa hora não chega, cabe a nós aproveitarmos ao máximo o que nos espera. Viver o hoje.

A gente tem que fazer o hoje valer a pena, pra sentirmos saudade amanhã. Faz um bem danado.

Ainda temos alguns dias de Festival pela frente. O show de encerramento será histórico, deixará lembranças incríveis. E antes dele há muitos espetáculos, e com eles novos encontros, novos amigos, novas lembranças.

Se os grupos deixam saudade, o público não fica pra trás. Sem apelos publicitários piegas, por favor. Estou falando de um bocado de gente que vamos conhecendo no caminho. Pessoas que se sentem à vontade, que associam quem está na produção do Festival com memórias muito boas. É uma responsabilidade danada fazer valer a pena estes encontros e reencontros.

Divertir-se com o público do Festival deixa uma saudade gigante.

Faz um bem danado, né?

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