“Minha vida é uma sucessão de quases”

Entre frases de efeito e histórias reais, Dolores nos lembra como a vida real é dura

Por: Wesley Brasil
wesleybrasil@gmail.com

O espetáculo Solo Almodóvar trouxe a reflexão sobre a vida real: aquela que às vezes fica difícil olhar nos olhos. O que não deu certo na sua vida? Do que você se arrepende? Do que não se arrepende?

Da sinopse: Dolores é uma travesti. Carismática e performática, canta e conta histórias da sua vida, amores e dramas.

A verdade é que quem consegue tudo é um chato. Dolores apenas se deu ao trabalho de escancarar essa verdade, e nos fez lembrar, através das suas derrotas, que ninguém é um vencedor completo. Que viver é complicado pra caramba – especialmente para uma travesti.

Dolores recebe o troféu da Mascote do EncontrArte.

Dolores recebe o troféu da Mascote do EncontrArte.

Uma sucessão de “quases”… Daria para fazer uma lista da quantidade de projetos que nos envolvemos e não dão certo. Que morrem na praia. Que dão certo mas não brilham. De repente, viver é fugir do “quase” – ou fazer uma amizade profunda com ele. Essa coisa do quase…

Lembra de Rocky? Sim, o lutador de boxe? Pois é. As palavras dele resumem muito bem sobre como devemos encarar a vida: “O mundo não é um mar de rosas; é um lugar sujo, um lugar cruel, que não quer saber o quanto você é durão. Vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer.”

De volta pra Dolores, dá pra lembrar dela falando sobre as surras que levava, e defendendo que no dia seguinte lá estaria ela, toda produzida, pois como ela diz: “bitcha é luxo”, no portunhol que ela mesma assume “quase falo espanhol”.

O EncontrArte foi presenteado com uma noite para olhar dentro de si mesmo e lembrar de quanto batalhou para chegar na sua XIII edição. Mais de uma década de resistência tem sim seus momentos difíceis, complicados, duros… A recompensa? Deixamos o Sesc cheio, com 100% de público espontâneo. Gente que segue o Festival para onde vai, que acompanha no site e nas redes sociais. Gente que abre aquele mapa enorme deste ano e marca quais espetáculos não pode perder. Gente que está fazendo selfie com a mascote.

Gente que entre tantos “quase”, continua de pé.

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