Entrevista com Alexandre Gomes, fundador do F.A.M.A.

O ator nos deu uma visão geral do projeto F.A.M.A. e da Cia. Atores da Fábrica

Por: Claudina Oliveira
claudina@encontrarte.com.br

F.A.M.A., a Fábrica de Atores e Material Artístico, está em Nova Iguaçu desde 2001. Mais de 5.000 alunos já passaram por lá. O objetivo é propagar e a arte e tirar o que há de mais belo no ser humano – é uma ONG que usa a arte como instrumento de politização. A companhia tem uma pegada mais profissional.

Recebemos o ator Alexandre Gomes para um bate-papo sobre todo este trabalho que vem realizando há tanto tempo na cidade. Confira:

Por que criou o Fama?

Fui convidado por um agência de modelos para dar um curso livre. Ali eu percebi que a cidade tinha uma necessidade de teatro. Quando fundei o F.A.M.A. passei a morar na cidade. Nasceu para levar a arte para aqueles que não tinham recurso. Não como objetivo de profissionalizar.

O F.A.M.A. não é um curso profissional. Ele realiza uma iniciação. Muita gente procura o F.A.M.A.; queremos plantar a semente.

A profissionalização vem como consequência. O teatro vai ajudar enquanto ser humano. A companhia tem um objetivo profissional. Alí tem atores que ensaiam horas, para mostrar um trabalho profissional no palco. Essa cia. existe desde 2006, mas sempre com uma distância grande entre cada trabalho. De um ano pra cá o grupo passou a dedicar mais tempo para o trabalho da companhia.

O EncontrArte influenciou em alguma coisa no processo?

De um ano pra cá vimos que deveríamos nos inscrever em festivais. Minha relação sempre foi de admiração, mas que não era um trabalho que eu acreditava que a escola estaria pronta para participar – afinal sua proposta é de iniciação, não de profissionalização. No entanto, a Companhia Atores das Fabrica deveria sim participar de eventos como este. Nos inscrevemos em outros festivais ao longo de 2013 e 2014. Este ano vamos apresentar o espetáculo “Construção” no Teatro Sylvio Monteiro.

Assistir aos espetáculos do EncontrArte, que tinham tanta qualidade, estimulou a busca e pesquisa da Companhia Atores da Fábrica rumo a novos experimentos no palco.

O F.A.M.A. já produziu algum festival?

Nós produzimos o Circuito Mix de Esquetes, que teve 7 edições. É um festival de textos curtos, que chegou a reunir grupos de todo o estado do RJ, de outros estados e até outros países. Ano passado não realizamos porque não conseguimos patrocínio e este ano também.

Pra onde vai a Cultura de Nova Iguaçu?

Os caminhos da cultura são melhores do que antes. No passado eu entrevistava as pessoas e elas não iam a teatro. Hoje já vemos uma mudança. Trabalhos como o EncontrArte, o próprio F.A.M.A. ajudaram a formar plateia. Se o poder público de fato e de verdade entendesse a grandiosidade disso, que cultura, entretenimento… Arte é capaz de movimentar a economia da cidade. Nós chegaríamos onde almejamos muito mais rápido.

Eu acredito nessa Nova Iguaçu que o EncontrArte almeja. Penso que independente do poder público, o que vai fazer pressão nesse poder é a nossa união.

Se nós nos unirmos, os grupos de teatro, os festivais, as pessoas da cultura não nos digladiarmos e não nos vermos como competidores, tem espaço pra todo mundo trabalhar: é um mundo. Se nós nos unirmos, eu tenho certeza que a gente chega lá.

Entrevista concedida ao publicitário Wesley Brasil

1 Comentários

  1. 27 de setembro de 2014
    Almira Corrêa

    Obrigado Alexandre, por contribuir com uma parcela para um crescimento na Baixada Fluminense, e com este pensamento assim, de sermos um todo e não pensando cada um por si, todos tem sua vez, é só haver o respeito, a seriedade e saber o que se faz.
    Eu posso dizer com orgulho, pois fui aluna do F.A.M.A., e seu trabalho por aqui é realmente excelente e bastante responsável.

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